Design de identidade visual para a Manacá

Boa parte do trabalho de branding acontece antes de um cliente chegar até mim pra fazer a identidade visual – beeem antes. Ele começa quando alguém decide criar uma empresa e, antes mesmo de ela de fato existir, começa a fazer escolhas.

Escolhas como o tipo e formato dos serviços que vai oferecer. Ou do que quer fazer diferente dos concorrentes. Ou de como quer se comunicar nas redes sociais, se posicionar no mundo, mesmo.

Meu trabalho, como designer, é entender o branding da marca e traduzir isso de formas visuais.

Só que, às vezes, as pessoas não tem clareza sobre isso. E no meu trabalho de design, eu faço questão que elas tenham. Não dá pra desvincular uma coisa da outra.

Olha só o caso da Manacá: o branding começou a ser construído quando a Andressa e a Dani decidiram que queriam um negócio que incentivasse o brincar, as descobertas e a criatividade das crianças, mas sem favorecer o consumo exagerado de brinquedos; quando elas decidiram criar um serviço de aluguel de brinquedos com assinatura mensal; e quando elas decidiram que não seriam quaisquer brinquedos – eles passariam por uma curadoria que inclui fabricantes daqui do Brasil e de fora, inclusive alguns que são pequenos negócios familiares, e que esses brinquedos seriam diferentes, duráveis, sustentáveis e com estímulos variados.

Pronto, tinha nascido o branding da Manacá. Mas elas não sabiam que tinha um nome pra isso, e essas escolhas todas pareciam muito soltas.

Elas vieram conversar comigo porque queriam fotos dos brinquedos. No meio da conversa, a gente percebeu que faltava ligar alguns pontos em relação ao branding da marca. Elas estavam esboçando um logo com um amigo, mas não estava saindo como elas queriam. Tinha um tanto de incerteza se aquele era o logo certo pra marca – e aqui o problema não era o logo, mas a falta de clareza do que a Manacá queria comunicar. Conversamos um tanto e decidimos fazer, além das fotos, o design da identidade visual que a Manacá merecia, o que inclui, obrigatoriamente, um mapeamento básico desse branding.

Como sempre faço, uso um questionário, um painel de referências visuais e muita, muita conversa. É assim que a gente consegue “mapear” esse branding, entender a marca. Não tem como construir uma identidade visual (ou qualquer outra coisa) sem olhar pra isso – é receita de fracasso, por mais lindo que um logo seja.

O questionário da Manacá e toda nossa conversa deixou alguns valores da marca muito evidentes, como o desejo de ser um negócio muito além da prestação de serviço – o desejo da Manacá é transformar o modo de consumir brinquedos, propor uma alternativa consciente e sustentável pra isso. O público que se conecta com isso se conecta também com vários assuntos como minimalismo, sustentabilidade, slow life, fazeres manuais, tempo de qualidade com os filhos e brincar livre, por exemplo. A marca oferece um serviço que vai ser consumido pelas crianças, mas precisava se comunicar com os pais. O lúdico precisava aparecer, mas sem ser infantil.

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O painel visual da Manacá veio cheio de ludicidade, aquarela, cores suaves, imaginação, cuidado e, é claro, manacás! Olha só um pedacinho dele:

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Manacás dão flores em tons variados do branco ao roxo, passando pelo rosa, na mesma árvore. É uma coisa linda de ver. Mas quando olhei de perto (e tenho a sorte de ter uma árvore dessas aqui na rua), me apaixonei mesmo foi pelo desenho da folha.

Como queríamos algo diferente e não literal na identidade visual, comecei a desenhar a folha do manacá, e pensando na ideia do ciclo de consumo mais consciente e da circulação dos brinquedos alugados entre as famílias, fez muito sentido o desenho ser aberto, em forma de espiral. Enquanto eu estava desenhando os esboços e também testando desenhos diferentes para a palavra, surgiu uma letra m que me lembrou um tronco de árvore. E aí, gente, pronto: fui juntando as coisas e tava feita a ideia que acabou se transformando na versão final do logotipo – uma árvore, sim, mas com a copa diferente, seguindo o formato da folha, em espiral.

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Escolhi usar aquarela em dois tons das flores de manacá, mais o verde das folhas, mas em tons suaves e harmônicos entre si, pra combinar com a suavidade que apareceu no painel de referência e que também está presente nas cores de muitos brinquedos de madeira da Manacá. Seguindo a mesma proposta, usei o cinza em vez do preto para a palavra Manacá, em letra manuscrita.

logotipo-identidade-visual-manaca-01

Considerando que é uma empresa toda pautada por valores de sustentabilidade e minimalismo, a Manacá decidiu não fazer itens de papelaria. Os brinquedos são transportados em sacolas, e toda a comunicação é digital, pelo menos por enquanto. A Andressa e a Dani querem muito uma camiseta, pra usar quando a Manacá for montar kits de brinquedos para festas infantis. Fiz então alguns mockups pra elas conseguirem visualizar as aplicações da marca no mundo físico:

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identidade-visual-logo-sacola-manaca-1
identidade-visual-logo-camiseta-manaca-1

Em outro post eu conto a delícia que foi fotografar os brinquedos todos (e brincar com eles também! foi muito, muito, divertido).

Se você tem uma pequena marca e já tem uma ideia do que ela veio fazer no mundo, mas não sabe como traduzir esse propósito de forma visual, me manda uma mensagem! Vou adorar conversar com você pra criarmos juntos algo único e sob medida pra sua marca e público.

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Muito prazer, eu sou a Carla!

Sou fotógrafa e designer e, aqui no canteiro, ajudo pequenas marcas a comunicarem melhor o seu propósito e a b(r)otarem suas ideias no mundo usando design, fotografia e vídeo. Saiba mais...